segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Renasça

Presa aos meus vícios,
à minha escrita
a essa cidade
sem vida.
Hoje eu grito prosa,
não é poesia.

Aos meus autores,
meus discos,
provocadores
de minha ferida.
Não vês como sou escrava
de minha própria via?

Está aqui presente:
minha carne,
que denuncia
toda fraqueza
que em mim
habita.

Portanto fogo imanente
Embala-me em teu canto.
Queima-me,
para que eu volte pelas cinzas,
num estado puro de semente:

Devora-me
cria-me,
faça meu rascunho novamente.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010





"Pôr fogo em tudo, inclusive em mim."

direção: Elis Mira

elenco:
Bárbara Carbogim
Marcelo Fiorin
Mirela Ferraz
Paulo Maffei

terça-feira, 12 de outubro de 2010

canta em mim Carlos Drummond

Não tem nome
o que é desmedido.

Tudo que não se denomina
se faz infinito.

Para encher os olhos,
Ouvidos.
Fazendo inchar,
Doído

com todo o sentimento do mundo
que vive em nós,
escondido.

terça-feira, 27 de julho de 2010

E no ir e vir
do caos
de existir
vou perdendo
ganhando
um pouco de mim

Numa escolha
deixo um braço
Em folhas
me despedaço
na terra de onde vim

E se estou pela metade
é porque ser inteira
já não me cabe
pois a faca que me reparte
divide-me assim:

Sou adubo
pedaço
E em tudo
por onde passo
deixo plantado
o que resta
de mim

domingo, 6 de junho de 2010

Não canse de mim poesia
pousa em mim a palavra
a letra que arrepia
não faço ressalvas
para suas visitas
e assim faça
da tua boca
minha escrita

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fluido: um solo para a satisfação

Não é caso hospitalar,
não padeço.
Só é preciso remendar:
a costura metida pelo avesso
desse corpo
que pertenço,
sem contorno
ou lugar.





Fluido: um solo para a satisfação

Mostra de processo experimental performático, inspirado num fragmento da obra “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

4/12/08 para 05/12/08 - Barroco – . Camila e eu poesiando .

Escondo na água
Que gruda na madeira velha
Escrita do outro nela
Surpreso em seu ato de estar

Minha boca que estala
O gole
O álcool
Assim, me desfaço
Na bebida que entalo

Me desculpo pelo dado
Erro grave
Penso em vão na sombra
Passo copo molhado
Minha boca que estala

Confundo o gosto de meus lábios
Com a cerveja
Com o cigarro
Vejo nomes na parede
De pessoas que nunca encaro

Fujo:
Desses olhos todos e
Me escondo
Me afundo
Coragem ou falta?
Mulher neste corpo encarnado
Em alma ardente fogo água
Ferro passado de boca molhada quente
Não sei se quero sair pra dançar
Ou se nessa mesa vou me guardar
Com esse copo
Com esse gole
Com esse corpo
Já sem nome

Sem o que
Quase não entendo
Te engulo toda em silêncio
Só pra poder compartilhar
(senti a diferença nesse copo de cerveja)

Vejo a poesia torta bêbada
As letras em curvas
Tão sôfregas
Como mãos
Trêmulas
Com nós
Laços e nós

Sal e saliva
Na água seca
Da garganta presa
Eu digo que não vou!
Ainda que TUDO que mais DESEJO
Seja dançar

Então pense em suas pernas
Nos pés
Aonde eles querem te levar?
É pra partir
Ou pra ficar?


Molho meus dedos
Nessa água suja
Seca surja

Molha-se na sujeira
Que nos purifica
Na cerveja
Que nos edifica
Assim há ar!

Eu não justifico o fato
De não pensar nisso
Pisca e assusta
Pés descalços-dentro
Meio presa
Ainda meio eu
Meio nós

Somos nós
Somos laços
Puros Pós
Mulheres Pedaços

segunda-feira, 29 de março de 2010

Se te deram o poder de sonhar
O que mais lhe cabe?
Temos o dom
para a eternidade,
De sermos feitos de sonho
e de carne.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pela manhã

Antes de respirar
abra as janelas do peito.
Vá se misturar
com o sol,
o vento.
Serás uma coisa só,
um ser do firmamento
E depois da claridão
sua alma irá ressurgir
para que então,
possas respirar
e seguir

segunda-feira, 15 de março de 2010

Convite


Reapresentação da nossa cena "A casa de Bernarda Alba" na calourada cultural 2010.
Sábado: 20/03
18:00
Sala 35 da Escola de Minas.
Vamos lá?

quinta-feira, 11 de março de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Agora, já!

"Diminui a cerveja,
sua rouquidão!"
Ah... sobriedade tola
que me corteja,
eu tento,
mas é em vão...
No entanto,
se estou meio devagar
não tenha espanto,
pois sou desses pássaros mansos
que voam,
mas sabem voltar.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um versinho para a Malemolência

De quando em vez,
fecho os olhos pra lembrar
do meu amor por vocês.
E é tão farto e generoso ,
esse meu carinho,
que pode até ser perigoso,
amar vocês
sempre
e mais um pouquinho...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Vai,
bota a culpa na vida!
Quando já não dá contas de ti,
de suas escolhas mal digeridas.
Ah...
“A vida é bela”
Mentira!
Quando foi que vistes a cara da vida?
Ela é velha, carcomida.
A vida coitada,
é muda,
não ouve quase nada,
já não vê.
"Eta vida filha da puta"
que estupidamente luta,
para te fazer viver.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ode ao ator

Assisto-te sendo esculpido,
seu corpo,
pelos deuses possuído.
Homem do palco
que se contorce,
se insinua.
E me põe em catarse,
nesse estado:
onde sou eu,
sou você
sou sua.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Único Ato

Vem ver amor, corre!
Vem assistir
o nascimento de mim
a que pele que escorre,
para se renovar.
Sou tão crua meu bem
e vou me parindo assim,
antes de me acabar.
Vem? Sei que não aplaudirá
o meu triste espetáculo de nascer
que não tem fim,
pois nunca estreará .

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Aviso

Aqui moço, o recado tá dado:
Meu coração é duro!
Mas, se bater antes de entrar,
tá convidado, eu juro!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Para quem acredita em dragões



Li sobre os tais dragões e devo confessar que eles me devoraram subitamente, para dentro de mim, onde meus bichos sentimentais estão guardados com mofo, esperando para serem seduzidos e caçados.
Eu espero querida, confesso. Espero ser desfiada lentamente, músculo por músculo pelos dentes desses animais, os quais sempre serão maiores e mais encantadores do que eu humana. E quando eu estiver morrendo baixinho, sem fazer barulho, sendo sugada pela sua energia de alecrim e hortelã, me sentirei mais pulsante e viverei.
Toma-me a idéia de domesticar um dragão, nessa ilusão de morar com um. Ele vai parecer manso, com escamas previsíveis e anatômicas para acolher meu corpo humano. E assim, penso como Caio Fernando Abreu “que seja doce, que seja doce.” Faço-me leve e pronta para ser uma presa-presente.

PS.: Fico envorgonhada sendo olhada pela capa do livro, pelos os olhos de Caio F.