terça-feira, 28 de março de 2017

Diálogo com as plantas I



o que é o amor em tempos desses
cinzas?
em um céu que sinto dos primeiros ventos de outono
virados em minha janela, cama, travesseiro
chamando a mudança do calendário
atordoando-me os temores de uma era terceirizada
fria
inóspita
inábitavel
porém viva, aqui: presente.
como abraçar os nossos fracassos
errâncias
 desejos
e ainda, ou antes de tudo
amar?
no turbilhão de uma terra desgragmentada
vazia
como posso, ainda ter amor?
penso enquanto rego minhas plantas que sempre crescem
tão verdes e bonitas
e lembro
que a vida é firme
verde em sua existência.
e por isso amo,
porque amar em tempos tão brutos
é resistência.











quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017



ao desempoeirar
partículas
de desejos que guardo
para fazer luz
e de muita claridade
respirar o sol
clara
translúcida, morena
tornar tudo leve
mesmo quando
em poeira
vivo
quieta e serena
abrir portas, janelas, cartas, gavetas
e escrever, sempre;
poemas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017



provisório fulgor
das coisas
fugidias
amor
que é fogo imparável
e incendia
as camas
os sonhos
comendo vorazmente
corações
e os seus donos
até não não deixar mais nada
só o caroço
que não é vazio
oco
porque se torna morada
de um corpo
repleto de desejos
abertos
para a ponte invisível
que cresce até outro
sensível
ensejo
labareda
de um efêmero e tão forte
incêndio
...