segunda-feira, 19 de março de 2018

Volto os olhos para outro horizonte. Lembro das velas, do corpo de Marielle que velei de longe.
Sinto. Sinto novamente. Abraço todos brasileiros que sentiram seu luto.
Tento ver esperança. Quero acreditar e buscar em outro lugar uma fuga. Uma irrupção. Uma força que rompa com esses caminhos fechados. Que vingue em outras rotas: para além. Quero arranhar o solo até chegar a semente da força. 
Tocá-la. 
Acariciá-la. 
Deixar que ela vingue com mais potência. Soprá-la. Para fazer voar longe.
Essa semente/fé.
Pode ser que assim ela brote novamente
em nós. E novamente.
Novamente.
Sempre





sábado, 27 de janeiro de 2018



quem sou eu quando não escrevo poemas?
habito um longo hiato
residindo nele para escrever sobre burocracias,
academia
lista de compras,
para onde vai a minha poesia
quando não a escrevo?
imagino-a saindo por aí,
sozinha
enquanto, aqui, só imagino seu passeio
que roda na mãos de outros poetas
sim, me desculpo pela falta de tempo
ou cuidado
mas vá, voe sempre
volte quando quiser
para fazer de mim
sua casa.