segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

sou dessas pessoas que vivem cansadas. dessas pessoas com olheiras. faço mil coisas ao mesmo tempo e não me orgulho disso. vivo entre o sonho e o real e muitas vezes prefiro sonhar a viver. sou viciada em café e gasto meu pouco dinheiro com três coisas: livros, viagens e cerveja. muitas vezes sou desmedida. sei que deveria ser mais apolínea, e até sou. mas sempre transbordo pelas beiradas do meu corpo: poros, cabelos, lágrimas e sorrisos. desejar mudar em 2016 é como aquela piada que não se entende e ri. então eu rio. rio de mim mesma, sempre. rio sozinha ou acompanhada. enquanto os outros, bem.. continuam perguntando o sentido da piada.





quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

o que é o envelhecer senão o reconhecimento
do mundo?
de minha pele tatuada
pelos afetos
das palavras soltas
como os cabelos
teimosa, escrevo
para lembrar de quem sou
se minha face já muda
tanto
ao espelho
e se tudo passa
eu envelheço
nova
relembro
algo que continua vivo
imperecível ao tempo
das raízes às pedras
de minha cidade velha
e pelas paisagens que carrego
ou outras que espero
busco, hesito
mas não temo,
sou errante
em delírio
sou,
poeta.
  




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

a todos os caminhos que se abrem
e aos outros
que insistentemente rasgo
com os dentes
abrindo as estradas para meu corpo
dançar
atravesso as passagens
com os olhos fechados
sem medo do desconhecido
lanço-me
aos abismos de mim mesma
para voar
em minhas profundezas
de quedas
sem voltas.