quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

para pássaros, pipas e outros seres afins


Entoa
Vento forte
Faça com que voa
a pipa,
e corte
a fita
e que doa
a despedida,
dos pés de seu chão
a dor daqueles que vão
e de quem fica
posto que agora
a altura de quem parte
é infinita
pois não há como parar
o embalo da vida
Há muitos céus
Para quem rodopia.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

escrita pela pele
de paisagens marcadas
por trajetos
que em mim são tatuados
tinta cravada
é a memória que carrego
o meu fardo
não nego,
não mais,
pois me entrego
aos braços
de estranhos lugares
que me atravessam
por ora, como lares
mas escuto a língua que não entendo
a mudez do tocar
estrangeira de meu lar
seria eu, então,
sombra nômade?
carcaça errante?
surda
ou sem lugar?
e pela agulha se faz
o traço
que em toda minha pele,
face
se revela
a marca
o meu código
minha tinta de poeta

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sobre o pão e o tempo



Talvez os tempos sejam particulares
cada um partilha do seu,
como lhe cabe.
A beleza mora, portanto, em tempo rachado
Quando o dividimos em dois, três, quatro.
Servidos em ceia farta
Comendo junto às experiências servidas à mesa
tornamo-nos janta e sobremesa
um do outro.
E no milagre da antropofagia
percebemos que só existimos pelo encontro
no momento em que damos
 fatias largas ou pequenas
doces ou amargas
de tempo.
Tempos felizes ou tortuosos
Que durante a ceia da vida
são postos
para que sejam divididos
tornando-se
nossos.