sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Digestão

E o que se faz?


Pra onde vão todos os momentos,

onde meto?

Vasculho a memória

Pego pelo dedo

Seguro pela ponta

Percorro o próprio estar

Que é esse agora,

O sendo.

É isso? Sou escrava do instante?

De meus próprios pensamentos?

Onde estão as janelas?

Abram-se,

Faça escapar todo esse sentimento:

Esse bicho de ser e estar sendo,

Que come e é comido

e em estado constante de devoramento.

Deixe correr

O presente fugido.

Pois a lembrança eu pego pelo dedo

E se tudo vai sendo engolido,

Já que as janelas de mim têm fechos

Tudo brota escondido

Em lugares que desconheço.

É como um processo de digestão,

Sem fim ou começo.

Como e sou comida pela doença que padeço:

Do ser em contradição

Que não se fixa ao tempo.

4 comentários:

  1. Grande poema, revelador, sem causar quase nenhuma sensação. Você está, às vezes, melhor.

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  2. Venho me perguntando todos os dias, "onde estão as janelas?"

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  3. Lindo, lindo, lindo.

    Linguagem mágica.

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