à deriva
vejo os meus sonhos
todos desvirados
como roupas
penduro-os em varais
suspensos
e longínquos
impalpáveis.
respiro
cedo
estendo as mãos
ao relento
cheiros
e gostos
como se pudesse
alcançá-los.
mas apenas miro
distraio-me
vendo-os ali
postos na alta madrugada
aguardo,
sentindo-os perto
e eles em estrelas
pendurados
sento-me
preparando o salto
impulso
para caminhar até as lonjuras
da madrugada.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
escritos mofados
Os versos que
levo guardados
presos
em folhas já amarelas
de mofo
naftalina
que exala da gaveta,
dos escritos
tão velhos
e enrugados
de letras tortas
fedorentas
gangrena
inflamada
por dentro,
como ar que se respira
e não solta
é a palavra que se guarda
e que não vinga
ou brota
murcha dentro da pele
seca
amarga
cicatrizando por fora.
todas as reticências
silenciadas
envio-te
tardiamente
para que sejam ouvidas
mastigadas
por tua boca
muda
e feroz.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
beleza espiral
volto
pelo meio
início e fim
de todos os verbos
passagem
retorno
retornelo.
há doçura
em todos os rasgos
do caminho traçado
fissuras,
já passei?
volto?
por todos os começos
já tão velhos
que continuam
expostos
abertos
novos
processos
vida
desdobrada
espiral
que me pega
e solta
leva
e trás de volta,
como lembrança
revisitada.
pelo meio
início e fim
de todos os verbos
passagem
retorno
retornelo.
há doçura
em todos os rasgos
do caminho traçado
fissuras,
já passei?
volto?
por todos os começos
já tão velhos
que continuam
expostos
abertos
novos
processos
vida
desdobrada
espiral
que me pega
e solta
leva
e trás de volta,
como lembrança
revisitada.
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