habito as palavras
como quem deposita o corpo
sob outro.
quentes,
em silêncio somos
todo o respingo
o suor
torpor
encontro.
ou sou habitada
de tal forma
pelos versos
poesia
casa
que faço de ti
roupa
coberta
de minha nudez
já toda
rasgada.
agradecimento especial para Camila Duarte, doce poeta, a qual intitulou o poema.
domingo, 19 de janeiro de 2014
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
quando fui outra
quando fui outra
em teu corpo
que vestia-me
inteira
cabia dentro
e mais um pouco
sobrava
dos contornos
até a cabeleira.
quando fui outra
e não essa,
salivava
sem temor
todo o gosto
ardia
era fogo
água,
tormenta.
quando fui outra
e já não sou
metia-me o medo
enfiado nos braços
abertos para as colinas
engasgada pela altura
sonhava
não caía.
quando fui outra
e não me lembro
confundia-me
com a sombra
o eco
pois eu era em ti
toda a lembrança
e a ausência
surrada junto ao vento.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
tempestade
dentro
e fora.
destruidora
em seu esplendor
és beleza
estranha
para um corpo
cansado
que gostaria
de dançar
ao teu lado,
e nu.
mas há
inchaço
espera
tremor
ou paralisia
junto aos trovões.
rompante
meio tempo
abro a janela
arrebatada,
estática,
sou plateia
balbucio
diante de ti
apenas
um risco:
o susto
prenúncio
de um poema.
dentro
e fora.
destruidora
em seu esplendor
és beleza
estranha
para um corpo
cansado
que gostaria
de dançar
ao teu lado,
e nu.
mas há
inchaço
espera
tremor
ou paralisia
junto aos trovões.
rompante
meio tempo
abro a janela
arrebatada,
estática,
sou plateia
balbucio
diante de ti
apenas
um risco:
o susto
prenúncio
de um poema.
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