sexta-feira, 11 de maio de 2012

besteira cotidiana


Foi instantâneo, assim como o pó de café que acabei de dissolver na água fervente. Na tentativa de me manter acordada, e como já tinha tomado o café depois do almoço, resolvi procurar um capuchino, ou um mate pra ficar mais ativa. Tudo tinha acabado, aí vejo um pó de café desses rápidos.
Pronto, cai a chuva. O café de gosto ruim que me lembrou a sua empolgação infantil, de uma tarde de expectativa,  quando você tinha acabado de comprar a praticidade embalada: “Isso é pra gente tomar lá em São Paulo, isso é pra viagem”!  Naquele meio tempo, choveu,  molhando tudo o que tava seco, árido e empoeirado.  A gente se acostuma a viver com a ausência, com a falta.  A gente trabalha, estuda, viaja, se apaixona, desapaixona, conhece pessoas,  e pensa que tá tudo seco. Mas a lacuna fica lá, onde menos se espera, calada em pausa de espera.
E quando ela grita, como nesses momentos bestas, a gente se surpreende e fica bobo de ver como o seco vira lama, argila,  que a gente esculpe e coloca na varanda pra secar bonito com o sol.


para dona Fátima

terça-feira, 8 de maio de 2012


J'habite la chair
qui je ne peut pas s'appeler ma
pourquoi?
je ne sais pas
peut-être parce que si elle était ma
je serais la chair
deux corps dans un
un corps dans deux
sans un début
sans fin.

domingo, 6 de maio de 2012

Pombo correio

queria agora que houvesse um sopro de flor,
como canto baixo
seja de quem for
um sussurro leve
brisa quente
que entregue
um cheiro breve
daquele foi
pra aquele que ficou
murmúrio doce
e alegre
de uma carta postal pendente
timbrada com calor.