terça-feira, 22 de outubro de 2013
Rugido
musculatura
lisa
solta
quase pluma
engana voo
foge
da estrutura
pois navega
reparte-se
desfia alturas
espalhando-se
em velocidades.
hoje,
ou só agora,
presa
apenas
às palavras
desvio escorregadia
sou pássaro-peixe
rasteira
deslizo
ressoo
por dentro
como pêndulo,
vou do céu
ao inferno
sem medo.
hoje,
ou por ora,
sem peso.
apenas giro
rujo
ergo as asas
para o ataque
sigo o instinto:
que é puro movimento.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
noite
em seu silêncio
dialogo calada
entendo
a insônia
que agora deitada
em meu colo
é ninada
atônita
até acaricio seus cabelos
- se fosse ontem
arrancaria
fio por fio
deixaria nu o couro.
por não me deixar dormir.
mas hoje
nino
cuido
compreendo:
é filha de minhas ideias
soltas na madrugada
ariscas
durante o dia
só crescem
depois da meia noite
em minha vigília.
aproveitem todas
a estadia
amanhã
ao raiar da luz
voltarão para a gaiola.
em seu silêncio
dialogo calada
entendo
a insônia
que agora deitada
em meu colo
é ninada
atônita
até acaricio seus cabelos
- se fosse ontem
arrancaria
fio por fio
deixaria nu o couro.
por não me deixar dormir.
mas hoje
nino
cuido
compreendo:
é filha de minhas ideias
soltas na madrugada
ariscas
durante o dia
só crescem
depois da meia noite
em minha vigília.
aproveitem todas
a estadia
amanhã
ao raiar da luz
voltarão para a gaiola.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
na água, boie olhando para o céu
o osso dói
em seu peso
disputa espaço no corpo
retrae junto ao nervo
o osso carrega a pele
história
por isso precisa ser lavado:
em mares, rios, cachoeiras.
água gelada.
é preciso descansar do encargo:
ofício pesado esse:
o de segurar, o que tantas vezes é insustentável.
só assim:
boiando na água.
ele flutua,
pelo fluxo,
torna-se carregado
e leve.
depois da limpeza
ergue-se
para contra a correnteza
secando ao sol
comida que também o alimenta
revigora o cálcio
para voltar a carregar
a vida
toda inteira.
em seu peso
disputa espaço no corpo
retrae junto ao nervo
o osso carrega a pele
história
por isso precisa ser lavado:
em mares, rios, cachoeiras.
água gelada.
é preciso descansar do encargo:
ofício pesado esse:
o de segurar, o que tantas vezes é insustentável.
só assim:
boiando na água.
ele flutua,
pelo fluxo,
torna-se carregado
e leve.
depois da limpeza
ergue-se
para contra a correnteza
secando ao sol
comida que também o alimenta
revigora o cálcio
para voltar a carregar
a vida
toda inteira.
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