segunda-feira, 20 de maio de 2013
quanto mais perto do fim,
um começo.
como fazer quando a conversa
e a escrita
são infinitas?
eterno
ritornelo..
desgasto a palavra
até o seu avesso.
chego ao fim de uma experiência-limite
fecho a sua passagem
como um buraco abismal
aberto,
sangrando em sua
hemorragia.
onde estão as portas de saída
das quedas?
vertigem
em que meto.
não, não concluo.
retorno,
retrocedo
encerro: tudo pelo meio..
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Perdão
mas me afogo
no raso.
são nos territórios
demarcados
e palpáveis
que me perco,
porque é preciso cavar
com os dentes
para encontrar o gosto,
de fato.
Morder as bordas insonsas,
até chegar ao fundo,
longínquo,
inalcançável,
sempre à espera.
Desejo antes devorar
as fronteiras
para sentir o que é novo
experimentar outro lado,
queimando a língua.
Porque os pêlos da pele
se eriçam
se eriçam
para ele:
o desconhecido.
Rugindo em seus ventos,
águas de fogo,
rajadas quentes.
Quero mirar o risco
não só com olhos
mas com o corpo todo,
ardente.
Beber as ondas,
engolindo o mar
para então,
desfazer-me.
não só com olhos
mas com o corpo todo,
ardente.
Beber as ondas,
engolindo o mar
para então,
desfazer-me.
sexta-feira, 15 de março de 2013
descoberta
insaciável
a escrita
parasita
gera
o movimento
que cresce
do interno
e corre
ao caos.
vai para fora
reverbera:
insônia,
ou sonhos escritos
de palavras mastigadas
pelo inconsciente.
o sistema nervoso
se contorce
sente
e invade
os ombros
vômitos
diarreia
dão vazão
ao processo.
litros de água
doravante
suor.
não me disseram
que tal qual um bicho
a escrita
poderia habitar
tão intimamente
um corpo,
atravessando seu
contorno
testando
quaisquer
limites
foge da pele
pois quer
escapar
pelos orifícios
desaba
feito baba.
ordenam
a separação
de objeto e sujeito
mas que obsoleto
é notar
a impossibilidade,
se já não sei se
sou em quem me meto
ou ela que mete.
por isso geme
no estômago
e se cospe
involuntariamente
contorce
devora
ao mesmo
tempo que é
pura força
aflora
quando se cola
nas paredes
dos nervos
músculos
que desconheço
agora
tão abertos
porque tudo
de repente
se destranca
para vazar.
o texto como líquido
também é óleo,
desferruja.
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