sexta-feira, 27 de setembro de 2013

na água, boie olhando para o céu

o osso dói
em seu peso
disputa espaço no corpo
retrae junto ao nervo
o osso carrega a pele
história
por isso precisa ser lavado:
em mares, rios, cachoeiras.
água gelada.
é preciso descansar do encargo:
ofício pesado esse:
o de segurar, o que tantas vezes é insustentável.
só assim:
boiando na água.
ele flutua,
pelo fluxo,
torna-se carregado
e leve.
depois da limpeza
ergue-se
para contra a correnteza
secando ao sol
comida que também o alimenta
revigora o cálcio
para voltar a carregar
a vida
toda inteira.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013


diluindo-me.

pulmão 
cheio
esvaziado
vazo
sobro
falto.
ebulição.

consumida
numa só tragada
em tua respiração
engasgo-te:
tossida.

sou fumaça
impalpável
danço livre em tua boca. 


sábado, 3 de agosto de 2013


difícil lembrar
onde te soltei
pássaro 
meu canto
raro
agora perdido
solto
já misturado.
irreparável
perdi o momento:
o instante 
o voo.
sem rastros
sua partida
me corta
rasante
sem volta.
engulo os fios
que te prendiam
às mãos,
e me desfaço
desde sua partida
sua cor
que nao vejo
some
cada vez mais
alto
distante
seu grito
piando pelo
o meu corpo,
esquecido
porque o seu nome 
escorre
arisco 
na altura. 


De tão esquecida ando confundido vida com sobrevivência. E inventando a memória.