segunda-feira, 24 de junho de 2013


tropeço nos miúdos
contidos
do sussurros
guardados
dentro
do vestido.
ou nos segredos
expostos nos versos,
que,
como os cabelos
soltos,
crescem floridos.
fios esparramados
incontidos,
é enxame
zumbido.
saem para todos os lados,
meu sonhos
contidos,
rasgando em seu emaranhado,
os goles engolidos,
secos
respingos.
e é no susto
do engasgue,
que retomo o sentido.

estou viva,
e tudo pulsa.




segunda-feira, 20 de maio de 2013


quanto mais perto do fim,
um começo.
como fazer quando a conversa
e a escrita
são infinitas?

eterno
ritornelo..

desgasto a palavra
até o seu avesso.

chego ao fim de uma experiência-limite
fecho a sua passagem
como um buraco abismal
aberto,
sangrando em sua
hemorragia.

onde estão as portas de saída
das quedas?
vertigem
em que meto.

não, não concluo.
retorno,
retrocedo
encerro: tudo pelo meio..

sexta-feira, 26 de abril de 2013


Perdão
mas me afogo
no raso.
são nos territórios
demarcados
e palpáveis
que me perco,
porque é preciso cavar
com os dentes
para encontrar o gosto,
de fato.
Morder as  bordas insonsas,
até  chegar ao fundo,
longínquo,
inalcançável,
sempre à espera.
Desejo antes devorar
as fronteiras
para sentir o que é novo
experimentar outro lado,
queimando a língua.
Porque os pêlos da pele
se eriçam
para ele:
o desconhecido.
Rugindo em seus ventos,
águas de fogo,
rajadas quentes.
Quero mirar o risco
não só com olhos
mas com o corpo todo,
ardente.
Beber as ondas,
engolindo o mar
para então,
desfazer-me.