segunda-feira, 26 de junho de 2017
eu faço poema
para fazer infernos
rasgar paraísos com os dedos de tinta
na folha,
em que caminho com as minhas asas
de anjo decadente
dançando com os outros
os anjos mais bonitos
e suas trombetas apocalípticas
tão desafinadas quanto o meus sonhos
por isso orquestro o teatro
com as mãos
com a boca
com esse corpo
profano
que dança fora da alma
quando ela está perdida
em qualquer canto
pedindo a escrita sem nome
de toda poesia
que tenho em mim
essa que convido
para dançar
no hoje,
de um tempo sem fim
que eternizo
no caos das letras
purgatórias
porque eu faço poemas
para fugir dos infernos
e zombar dos anjos,
que sempre são mais bonitos.
terça-feira, 28 de março de 2017
Diálogo com as plantas I
o que é o amor em tempos desses
cinzas?
em um céu que sinto dos primeiros ventos de outono
virados em minha janela, cama, travesseiro
chamando a mudança do calendário
atordoando-me os temores de uma era terceirizada
fria
inóspita
inábitavel
porém viva, aqui: presente.
como abraçar os nossos fracassos
errâncias
desejos
e ainda, ou antes de tudo
amar?
no turbilhão de uma terra desgragmentada
vazia
como posso, ainda ter amor?
penso enquanto rego minhas plantas que sempre crescem
tão verdes e bonitas
e lembro
que a vida é firme
verde em sua existência.
e por isso amo,
porque amar em tempos tão brutos
é resistência.
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