temo ter perdido
minha imagem
que dissolve
grave
no gosto da língua
meu rosto
pouco torto
míngua
bota-me como miragem
do que sou
e mira:
a pele
que se desfaz
toda engolida
crua
por minha garganta
ávida
lívida
engulo-te
meu reflexo
todo
não,
não sou tua cria
estou à margem
sou a outra
contrária
jamais vista.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
domingo, 19 de janeiro de 2014
transfiguração
habito as palavras
como quem deposita o corpo
sob outro.
quentes,
em silêncio somos
todo o respingo
o suor
torpor
encontro.
ou sou habitada
de tal forma
pelos versos
poesia
casa
que faço de ti
roupa
coberta
de minha nudez
já toda
rasgada.
agradecimento especial para Camila Duarte, doce poeta, a qual intitulou o poema.
como quem deposita o corpo
sob outro.
quentes,
em silêncio somos
todo o respingo
o suor
torpor
encontro.
ou sou habitada
de tal forma
pelos versos
poesia
casa
que faço de ti
roupa
coberta
de minha nudez
já toda
rasgada.
agradecimento especial para Camila Duarte, doce poeta, a qual intitulou o poema.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
quando fui outra
quando fui outra
em teu corpo
que vestia-me
inteira
cabia dentro
e mais um pouco
sobrava
dos contornos
até a cabeleira.
quando fui outra
e não essa,
salivava
sem temor
todo o gosto
ardia
era fogo
água,
tormenta.
quando fui outra
e já não sou
metia-me o medo
enfiado nos braços
abertos para as colinas
engasgada pela altura
sonhava
não caía.
quando fui outra
e não me lembro
confundia-me
com a sombra
o eco
pois eu era em ti
toda a lembrança
e a ausência
surrada junto ao vento.
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