segunda-feira, 19 de outubro de 2009
E assim se faz presente:
Um corpo feito de manhã e algodão, que tem na língua sede de cor. Vai pelo faro atrás de borrões de tinta fresca, assim procura uma definição por meio de linhas e curvas, numa tentativa inútil de se fazer visível.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
"Rapagão"
Lembro-me do cuidado que tens ao me ler, ao falar de mim. Queria saber repor de alguma forma tantos elogios, ou ao menos chegar perto deles. Mas a sua paciência de velho não sabe o quão longe estou de seu riso. Cuida desse coração porque ele carrega pedra e açúcar de uma família inteira.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Enquanto você dormia desenhei barcos em suas canelas. Fiz esbeltas velas com lápis escuro, contornei as marcas roxas que vinham de uma corrida cansada e limpei a grama presa entre os dedos dos pés.
Vi o momento em que os barcos atravessaram a pele e imergiram para corrente sanguínea. Eles flutuavam suavemente em sonhos, velando seus temores. Você ainda corria, estava afoita e sôfrega. Corria dormindo, parecia se abrir com vento. E era puro te ver assim, sonolenta e vívida, que deixei você velejando até meio-dia.
Vi o momento em que os barcos atravessaram a pele e imergiram para corrente sanguínea. Eles flutuavam suavemente em sonhos, velando seus temores. Você ainda corria, estava afoita e sôfrega. Corria dormindo, parecia se abrir com vento. E era puro te ver assim, sonolenta e vívida, que deixei você velejando até meio-dia.
Assinar:
Postagens (Atom)