domingo, 12 de outubro de 2014
eu
minha metade
ou toda
inteira
talvez não tenha
mudado
sigo ainda
a figura taciturna
dos velhos retratos
a dança cega
que de desejo
se faz melodia
da palavra
que persiste
e caminha
pelos poros
em arrepio.
o estorvo
a loucura
tempos remotos
daquele poeta
que tapou-me os lábios
com tuas mãos
sujas de tinta
em meu corpo
por tua caneta
por ora
tatuado
esqueço
teu nome
e o verso
de outrora
fazendo-se
mudo
passado
com os anos
e eu
escorregadia
vacilante
perdida
em minha
memória
entrego-me
aos meios
inícios e finais
de nossa
já empoeirada
história.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
vem outubro
e a melancolia
de outrora
cubro
disfarço
na aurora
do riso largo
amanhecendo
junto ao azul
do dia
que no seu fim
clareia na lua
dos escorpianos
e a melancolia
de outrora
cubro
disfarço
na aurora
do riso largo
amanhecendo
junto ao azul
do dia
que no seu fim
clareia na lua
dos escorpianos
é outubro
que chega
anuncia
o prenúncio
do calor
dos corpos noturnos
desvairados na noite
e seu brilho
que chega
anuncia
o prenúncio
do calor
dos corpos noturnos
desvairados na noite
e seu brilho
festa na rua
samba de esquina
o copo sem dono
perdido
samba de esquina
o copo sem dono
perdido
é outubro
que em teus lábios
pronuncia
o princípio
do veraneio
bandido
que em teus lábios
pronuncia
o princípio
do veraneio
bandido
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