segunda-feira, 7 de outubro de 2013

noite
em seu silêncio
dialogo calada
entendo
a insônia
que agora deitada
em meu colo
é ninada
atônita
até acaricio seus cabelos
- se fosse ontem
arrancaria
fio por fio
deixaria nu o couro.
por não me deixar dormir.
mas hoje
nino
cuido
compreendo:
é filha de minhas ideias
soltas na madrugada
ariscas
durante o dia
só crescem
depois da meia noite
em minha vigília.
aproveitem todas
a estadia
amanhã
ao raiar da luz
voltarão para a gaiola.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

na água, boie olhando para o céu

o osso dói
em seu peso
disputa espaço no corpo
retrae junto ao nervo
o osso carrega a pele
história
por isso precisa ser lavado:
em mares, rios, cachoeiras.
água gelada.
é preciso descansar do encargo:
ofício pesado esse:
o de segurar, o que tantas vezes é insustentável.
só assim:
boiando na água.
ele flutua,
pelo fluxo,
torna-se carregado
e leve.
depois da limpeza
ergue-se
para contra a correnteza
secando ao sol
comida que também o alimenta
revigora o cálcio
para voltar a carregar
a vida
toda inteira.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013


diluindo-me.

pulmão 
cheio
esvaziado
vazo
sobro
falto.
ebulição.

consumida
numa só tragada
em tua respiração
engasgo-te:
tossida.

sou fumaça
impalpável
danço livre em tua boca.