segunda-feira, 4 de março de 2013

indolor

ser sem memória
move-te
em teu ensejo
és fome infinita
de sentimentos
indomáveis.
renasce da dúvida
suor lançado
cabelos ao vento
dores à mostras
que são
crias tuas
tornam-se
poeira
de tua corrida
perturbada
vai-te em teu rumo
teu próprio tempo
que é sede
esporas gastas
a carne envergada
pêlos
liberta-te
pelo canto
de tua cavalgada
lança-te
ao combate
de teu caminho
cresça-te
pelo rugido
das marcas
atreladas
à alma.
corra
supera-te a velocidade
até o desmembrar
de tuas
partes
tu, meu desejo
seja o limite
do risco
e mais nada.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013


uma mulher que escreve
dilata pelos poros 
e não se cabe
se doa
compartilha
se reparte 
se vicia
no gosto
da letra 
que escorre
nas vísceras.
vira um nó
de pele 
e escrita.
uma mulher que escreve
sempre peca 
em demasia
porque uma mulher que escreve
apenas cumpre
sua sina
de viver
pela poesia.

  

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Maré

na escrita
ritornelo
meu corpo
descoberto
é onda.
bate
ressoa
quebra
no espaço
interminável
do verso.
estrondo:
água na pedra
quebra
meu verbo
o habitante do meio
sem
fins
ou começos
nasce do avesso.
porque pulsa
por todo
o movimento
a água
que rasteja
pega areia
e volta
como o sangue
correndo dentro
não pára
e retorna
fluxo
vivendo nas veias
puxa como o mar.
por amar
somente
o não paradeiro.

de olhos fechados para qualquer farol
mergulho sempre no mais fundo.