terça-feira, 21 de agosto de 2012
Para Hilda Hilst
às vezes, quando
esse sentimento
inquieto
me toma
culpo
a ignorância,
bicho/traça
parasita
sanguessuga
que carrego
comigo
justamente
por não saber
meto-me
no sempre
desconhecido
espiral no estômago
descarregamento
de ideias
diarreia do verbo
escapam
a todo sentido
fogem
arredias
brotam da pele,
atravessam o suor
pulam do ouvido.
e voltam pra boca
sistema externo sanguíneo
daquilo que me devora
forças, cantos, gritos
que vão
e voltam
ciclo infinito
portanto
Clamo Hilst
componha
ou passe a faca,
Hilda,
mate.
toda a fome da noite
e o zumbido
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Cabe dizer
que eu caberia em ti
se acaso
tu coubesses
em mim
mesmo
que do lado
talvez
quem sabe
uma cobertura
ou telhado
poderia nos caber
inteiros
ou um cado
da gente
assim
sob um
acobertado
que seria nosso
com-par-ti-
lhado
com?
par? ou para?
ti..
duas peças
descartáveis
dispensáveis
caberiam em si?
Há de caber minha loucura
em sua insanidade?
como encaixar tamanhos inigualáveis?
e mesmo que tais peças se colassem
seria excesso e não metade
não caibo em ti
porque não me caibo
deslizo
des-caso
por isso
sempre
descaibo
em mim
peça invertida
variável
desmedida
incabível
em seu tablado.
que eu caberia em ti
se acaso
tu coubesses
em mim
mesmo
que do lado
talvez
quem sabe
uma cobertura
ou telhado
poderia nos caber
inteiros
ou um cado
da gente
assim
sob um
acobertado
que seria nosso
com-par-ti-
lhado
com?
par? ou para?
ti..
duas peças
descartáveis
dispensáveis
caberiam em si?
Há de caber minha loucura
em sua insanidade?
como encaixar tamanhos inigualáveis?
e mesmo que tais peças se colassem
seria excesso e não metade
não caibo em ti
porque não me caibo
deslizo
des-caso
por isso
sempre
descaibo
em mim
peça invertida
variável
desmedida
incabível
em seu tablado.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
És todo o exposto
oculto impossível
Dos pés ao rosto
poesia perecível
És a tinta
e o esboço
Da pintura estriada
descabida
Fora de moldura
retas, traços
curvaturas
Que distinguem
Tu
obra tão inigualável
de essência revestida
Que te tornas moldável
pelas diretrizes do tempo
O que dizes?
Quando te reescrevo?
Eu temo
Pela tua pintura
Escrita
Em alto relevo
apenas não me contenho
Preciso compor em ti
e por ti
Pele
Face de meu segredo
Tão revelado
Que toca o que é de dentro
da mesma forma quando te leio
Prescrita em outro monumento
outro que não esconde
a alma e seu retrato
posto que se tornas por ti
pele
puro devir
de um presente- passado
quando toco
histórias
marcas
pecados
São tuas...
Somente tuas...
Poesias
De puro tato.
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